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Verificação intermediária: o que é, quando aplicar e por que ela reduz falhas entre calibrações

  • Fábio Campelo
  • 14 de jan.
  • 3 min de leitura

Mãos de um técnico de metrologia realizando verificação intermediária com um paquímetro digital em laboratório. Ícones gráficos amarelos de 'check' simbolizam a conformidade e qualidade, enquanto um tablet exibe dados de controle ao lado.

Em muitos sistemas de gestão metrológica, a calibração periódica é tratada como a principal garantia de confiabilidade das medições. No entanto, entre uma calibração e outra, os instrumentos continuam sendo utilizados diariamente — e é justamente nesse intervalo que surgem falhas silenciosas.

A verificação intermediária existe para preencher essa lacuna. Ela atua como uma camada adicional de segurança, reduzindo riscos operacionais e evitando que desvios passem despercebidos até a próxima calibração formal.

O que é verificação intermediária

A verificação intermediária é uma checagem técnica realizada entre calibrações periódicas, com o objetivo de confirmar se o instrumento continua operando dentro de limites aceitáveis.

Diferente da calibração, a verificação não ajusta o instrumento nem recalcula incertezas. Ela compara o desempenho atual com um padrão de referência conhecido, permitindo identificar desvios antes que eles comprometam processos ou resultados.

Por que a calibração sozinha não é suficiente

A calibração representa uma fotografia do instrumento em um momento específico. Após esse ponto, fatores como uso contínuo, vibração, impacto mecânico, variações térmicas e envelhecimento eletrônico podem alterar gradualmente o comportamento do equipamento.

Sem verificações intermediárias, esses desvios só serão identificados na próxima calibração — quando o dano já pode ter sido causado.

Quando aplicar a verificação intermediária

A frequência e a necessidade da verificação intermediária dependem do nível de risco associado ao instrumento. Ela é altamente recomendada quando:

  • O instrumento é crítico para a qualidade ou segurança do processo

  • Há uso intenso ou contínuo

  • O ambiente é agressivo (temperatura, umidade, vibração)

  • O histórico de calibração mostra tendência de desvio

  • O processo é regulado por normas ou órgãos fiscalizadores

Benefícios práticos da verificação intermediária

A adoção dessa prática traz ganhos diretos:

  • Redução de medições incorretas entre calibrações

  • Detecção precoce de falhas ou deriva

  • Menor risco de não conformidades em auditorias

  • Aumento da confiabilidade dos resultados

  • Maior previsibilidade operacional

Além disso, a verificação intermediária permite ajustar a periodicidade de calibração com base em dados reais, e não apenas em prazos fixos.

Relação com a ISO/IEC 17025

A norma ISO/IEC 17025 exige que os laboratórios assegurem a validade contínua dos resultados de medição. A verificação intermediária é uma das ferramentas mais eficazes para atender a esse requisito, especialmente em sistemas maduros de gestão metrológica.

Auditores avaliam não apenas se o instrumento foi calibrado, mas se existem controles que garantem seu desempenho ao longo do tempo.

Erro comum: tratar a verificação como burocracia

Quando encarada apenas como exigência documental, a verificação intermediária perde seu valor estratégico. Seu verdadeiro papel é proteger o processo, não apenas gerar registros.

Instrumentos que “passam” na calibração, mas falham entre ciclos, representam riscos silenciosos que só a verificação contínua consegue revelar.

Verificação intermediária é gestão de risco

Mais do que uma prática técnica, a verificação intermediária é uma ferramenta de gestão de risco metrológico. Ela transforma o controle de instrumentos em um processo ativo, preventivo e orientado por dados.

Conclusão

A verificação intermediária não substitui a calibração — ela a complementa. Em ambientes onde a confiabilidade das medições é crítica, essa prática deixa de ser opcional e passa a ser essencial.

Reduzir falhas entre calibrações significa proteger resultados, processos e decisões. E, na metrologia, essa proteção começa antes que o erro se torne visível.



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